Os fins justificam os meios. Típica frase que em certas ocasiões, falam por si só. Poderia definitivamente pô-la no meu vocabulário. Existem certas coisas para mim, que necessitam, parece-me, de que eu caia diante, para conseguir. Não é de uma só vez, mas de algumas. Aquele negócio do "faz de tudo por" e não dá em nada, tá, não é bem assim também, de não dar em nada, mas ainda me intriga o porque que os levados a fortíssimos candidatos a maus partidos sempre conseguem da maneira, senão mais fácil, menos dolorosa? De trocado por amigo e grande amigo a ponto de não arriscar amizade a mensageiro de "rival". Evolução, seja o que for, acabou. Novamente, num "final feliz", mais feliz agora, porventura. Quando me vem algumas cenas, sinto raiva de mim mesmo, verdade. Como ser tão idiota a tal ponto de deixar ou fazer aquilo? Literalmente, o amor cega. Por mais grosseiro que pareça, me vêm a vontade, de se houvesse a oportunidade de retorno a ocasião, falar algumas coisas, mas vejo que, por mais doloroso, valeu a pena. Não que haja arrependimento, não, isso não, arrependimento de ter feito e ter conseguido, não, talvez tenha algo, mas por saber que poderia ter sido de outra forma, menos dolorosa - pra mim.
O ciúme uma vez doentiu, alimentado por insegurança e acima de tudo falta de confiança, dá lugar hoje - ainda bem - ao ciúme que sei lá, não sei classificar, mas que não é doentiu, apenas entristece por algum tempinho. Não nego, me incomodou ver, por mais que saiba que seja reparadora, que reparou tanto no indivíduo e que ainda pediu-me o porque perguntar então se seria pra ficar daquela maneira, sendo que apenas pedi para saber o motivo pelo qual ria. Sei que se do contra, não ficaria como disse, pouco... alguma coisa dentro a cutucaria e a deixaria entristecida, seja pelo mínimo de tempo. Mas como manter alguma tristeza, se ao toque suave da tua mão todo meu sistema sensorial se aguça e percebe a leveza que transmite sua alma apenas pelos teus dedos? Toda aquele sentimento de necessidade de colo ou carinho pela ausência seja do que for, ao encostar da cabeça sobre o ombro, diga-me que infame ser que mantém-se preso ao ciúme [não-classificado] e deixa de retribuir o subentendido pedido? Talvez isso seja um dos meus defeitos, muita demonstração de sentimentos, a demasiada sucessão de declarações que possibilitam a fácil irritabilidade, a vontade do sempre por perto, do sempre ali, do lado, de mãos dadas.
Me desesperava quando chegavas perto porque a adrenalina me subia e a euforia do eu ter de me conter, quase sumia, pois não queria me conter. Maldita euforia que não me deixava agir por impulso, sei que daria certo, eu sei. Era a mesma euforia que me continha ao ler os textos que mencionava-o e me impedia de dizer-lhe tudo o que eu tinha vontade. A mesma euforia que me fez conter a insana vontade de mandar a merda aquele que não lhe dava atenção e que me conteve de lhe dizer, "olha pra mim, tá me vendo?! Eu to aqui, do teu lado, querendo te fazer feliz, porque ele? Nem aqui ele está". Mas não, ao passar pelo esôfago, calmamente a euforia tomou conta e suavemente retornou a insana vontade de volta ao seu lugar, gerando apenas a expressão de desolamento, e com poucas, ou nenhuma palavra, virei-me, lembra?
Se bem me recordo, era a mesma euforia que conteve de fazer poucas e boas com o sujeito que lhe flertava, enquanto estávamos, pela primeira vez, juntos, e a mesma que me impediu de tirar satisfações contigo. Mas, a mesma que me fez achar você, que mesmo mentindo e se escondendo de mim, do lado de fora, sozinha, pensando se o que tinha feito era o certo ou não. Me senti um erro. "Desculpa por qualquer coisa", resume boa parte desse tempo. Mas, como o fim justifica os meios, concluo que para se alcançar tamanha grandiosidade, seja ela material, espiritual, física, ou sentimental, precisa-se de um grande sacrifício, mesmo sendo doloroso.
Até havia outra maneira, creio eu, de acabar assim, a "recompensa" seria a mesma, mas hoje eu não teria todos os méritos que tenho, de ter passado por tudo, engolido e vomitado o que tinha que ser dito, porque sei, que te conquistei, do meu jeito, como eu sou, sem máscara ou falsidade, apenas mostrando-te, que como no decorrer dos dias, era comigo, que iria rir, que era eu quem iria te fazer rir, que era eu, que te faria ver, o quanto você é mais você.
Me vanglorio, por saber que depois de tanto, eu me vejo em você também. Tem um pouco de mim no teu jeito. Por menor a quantidade que for, tem. E isso, não há dor ou aperto que me faça arrepender, de um dia ter feito por merecer, aquilo que hoje eu posso dizer, meu bem... eu amo você.






