
- Era estranho, me via com o cabelo até curto, jogado, barba grande, mal feita, cigarros, whiskey (puro), alguns livros, uma sala escura com apenas a luz do céu nublado, algum andar acima do 10º, uma garoa fina. Um vídeo game, mais um vício e a janela, a qual a via cuidadosamente escondido - a paisana, entrar no prédio com aquele guarda-chuva. A ansiedade era o único sentimento que perdurava 24 horas, o amor as vezes vinha a se esconder. Nas poucas horas fora de casa, o trajeto era o mesmo, trabalho casa, passando pelos mesmos pontos, saindo com o mesmo pé e entrando com o mesmo, superstição?! Algumas pessoas diferentes, mas o mesmo floricultor, que me vendia a mesma dúzia de rosas, que não cessavam de preencher a mesa de jantar, que assim como eu, esperavam ansiosas a campainha tocar e aquele "oi" cativante tomar conta da acústica do apartamento imundo, antes que fossem recolhidas murchas ao fim da noite, e tomassem o mesmo rumo das demais.
[...]
- Bom dia amor, já fez a janta?



