terça-feira, 2 de novembro de 2010

O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao Sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o Sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

(Alberto Caeiro)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

E como valeu.

Os fins justificam os meios. Típica frase que em certas ocasiões, falam por si só. Poderia definitivamente pô-la no meu vocabulário. Existem certas coisas para mim, que necessitam, parece-me, de que eu caia diante, para conseguir. Não é de uma só vez, mas de algumas. Aquele negócio do "faz de tudo por" e não dá em nada, tá, não é bem assim também, de não dar em nada, mas ainda me intriga o porque que os levados a fortíssimos candidatos a maus partidos sempre conseguem da maneira, senão mais fácil, menos dolorosa? De trocado por amigo e grande amigo a ponto de não arriscar amizade a mensageiro de "rival".

Evolução, seja o que for, acabou. Novamente, num "final feliz", mais feliz agora, porventura. Quando me vem algumas cenas, sinto raiva de mim mesmo, verdade. Como ser tão idiota a tal ponto de deixar ou fazer aquilo? Literalmente, o amor cega. Por mais grosseiro que pareça, me vêm a vontade, de se houvesse a oportunidade de retorno a ocasião, falar algumas coisas, mas vejo que, por mais doloroso, valeu a pena. Não que haja arrependimento, não, isso não, arrependimento de ter feito e ter conseguido, não, talvez tenha algo, mas por saber que poderia ter sido de outra forma, menos dolorosa - pra mim.

O ciúme uma vez doentiu, alimentado por insegurança e acima de tudo falta de confiança, dá lugar hoje - ainda bem - ao ciúme que sei lá, não sei classificar, mas que não é doentiu, apenas entristece por algum tempinho. Não nego, me incomodou ver, por mais que saiba que seja reparadora, que reparou tanto no indivíduo e que ainda pediu-me o porque perguntar então se seria pra ficar daquela maneira, sendo que apenas pedi para saber o motivo pelo qual ria. Sei que se do contra, não ficaria como disse, pouco... alguma coisa dentro a cutucaria e a deixaria entristecida, seja pelo mínimo de tempo. Mas como manter alguma tristeza, se ao toque suave da tua mão todo meu sistema sensorial se aguça e percebe a leveza que transmite sua alma apenas pelos teus dedos? Toda aquele sentimento de necessidade de colo ou carinho pela ausência seja do que for, ao encostar da cabeça sobre o ombro, diga-me que infame ser que mantém-se preso ao ciúme [não-classificado] e deixa de retribuir o subentendido pedido? Talvez isso seja um dos meus defeitos, muita demonstração de sentimentos, a demasiada sucessão de declarações que possibilitam a fácil irritabilidade, a vontade do sempre por perto, do sempre ali, do lado, de mãos dadas.

Me desesperava quando chegavas perto porque a adrenalina me subia e a euforia do eu ter de me conter, quase sumia, pois não queria me conter. Maldita euforia que não me deixava agir por impulso, sei que daria certo, eu sei. Era a mesma euforia que me continha ao ler os textos que mencionava-o e me impedia de dizer-lhe tudo o que eu tinha vontade. A mesma euforia que me fez conter a insana vontade de mandar a merda aquele que não lhe dava atenção e que me conteve de lhe dizer, "olha pra mim, tá me vendo?! Eu to aqui, do teu lado, querendo te fazer feliz, porque ele? Nem aqui ele está". Mas não, ao passar pelo esôfago, calmamente a euforia tomou conta e suavemente retornou a insana vontade de volta ao seu lugar, gerando apenas a expressão de desolamento, e com poucas, ou nenhuma palavra, virei-me, lembra?

Se bem me recordo, era a mesma euforia que conteve de fazer poucas e boas com o sujeito que lhe flertava, enquanto estávamos, pela primeira vez, juntos, e a mesma que me impediu de tirar satisfações contigo. Mas, a mesma que me fez achar você, que mesmo mentindo e se escondendo de mim, do lado de fora, sozinha, pensando se o que tinha feito era o certo ou não. Me senti um erro. "Desculpa por qualquer coisa", resume boa parte desse tempo. Mas, como o fim justifica os meios, concluo que para se alcançar tamanha grandiosidade, seja ela material, espiritual, física, ou sentimental, precisa-se de um grande sacrifício, mesmo sendo doloroso.

Até havia outra maneira, creio eu, de acabar assim, a "recompensa" seria a mesma, mas hoje eu não teria todos os méritos que tenho, de ter passado por tudo, engolido e vomitado o que tinha que ser dito, porque sei, que te conquistei, do meu jeito, como eu sou, sem máscara ou falsidade, apenas mostrando-te, que como no decorrer dos dias, era comigo, que iria rir, que era eu quem iria te fazer rir, que era eu, que te faria ver, o quanto você é mais você.

Me vanglorio, por saber que depois de tanto, eu me vejo em você também. Tem um pouco de mim no teu jeito. Por menor a quantidade que for, tem. E isso, não há dor ou aperto que me faça arrepender, de um dia ter feito por merecer, aquilo que hoje eu posso dizer, meu bem... eu amo você.

domingo, 24 de outubro de 2010

E agora, o amanhã cadê?

Já tinha me dado conta e pensado na possibilidade de não passar no vestibular, mas meu otimismo me cegava. Hoje quando a mãe me ligou e me disse, "se você passar vai morar longe", me toquei que se não passasse... Não que ame Curitiba, mas já havia me acostumado com a ideia de ser um residente de lá. Por diversos fatores, estudos, futuro, profissionalismo, namorada, enfim, seria como aquele pé na bunda e o gentil tapinha na nuca, como se algo dissesse, vai, agora caminha, você já é grande.
Não ter tudo prontinho, feitinho, ter que batalhar pelo que ter e "fazer por merecer", será difícil, lógico, mas já me preparava pra isso. Mas, não estou preparado pra reformular "toda uma vida" que pensei. Unversidade, trabalho, casa. Toda a comodidade de uma cidade pequena, para uma capital. Dá para se pirar se ficar martelando muito em cima disso.
Ao passo que, me vem essas coisas na cabeça, concomitantemente, me vem na ideia, a tranquilidade e serenidade de uma vida estruturada, equilibrada. Às vezes, lógico, é por se estar em ocasiões que lhe propiciam isso, mas é tão bom, que, deixo por vez, o otimismo me cegar novamente. Espero que as frestas dos raios possam passar pela nossa cortina, e ofuscar nossos olhos a ponto de rirmos por algo assim, tão simples, mas tão necessário, quanto a tua presença.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


O Brasil vive uma época decisiva, dois grandes brigam pelo poder do país, o PT, com a candidata do atual presidente, cheia das mais diversas desconfianças de toda uma população consideravelmente informada sobre o obscuro passado, e o PSDB, cujo candidato José Serra, não foge das desconfianças mas sem dúvida tem uma caminhada considerável na política. A dúvida seria se Serra implantaria no Brasil o mesmo "regime" do grande FHC, que reduziu estupidamente a dívida externa do país, a qual não veio sendo cuidada e hoje beira a casa dos 400 bi. Se isso, ótimo, mas em relação aos planos de privatização? Não é de se negar que a privatização trás melhorias e avanços porém é todo um capital nacional centralizando-se. Já o PT, criou, literalmente, sua candidata, que com um histórico ameaçador, após cirurgias e cirurgias a então candidata petista subiu ao palanque apenas soando o eco das palavras de Lula, sem quaisquer propostas diferentes das que estavam sendo implementadas. O Brasil, há décadas, aliás, desde sempre, foi corrupto, mas não tanto na cara dura como nos últimos anos, é algo intolerável. A verdade é que estamos talvez, como numa política café com leite, só que em vez de Minas e São Paulo, agora é PT e PSDB, FHC - Lula, agora seria a hora do PSDB? O Brasil espera ansioso, o último dia do décimo mês do ano está por vir, e o que mais se vê é candidato atacando o outro em vez de se preocupar no bem-estar de nós, brasileiros. Que quando eleito, não atacam-nos pelas costas, covardemente, com armas pagas por nós mesmos, cidadãos deste Brasil, que já começou errado, com uma independência sem quaisquer suor, ao simples e ridículo grito sob um jumento.


- Uma sala escura, uma mesa, jogava-se poker, via-se apenas os copos, era whiskey, e algumas mãos, que percebia-se que quem ali estava usavam paletós, um cassino. Havia também charutos, cigarros, a fumaça também fazia com que se percebesse isso, dava pra perceber levemente uma porta, de madeira, mas era a sensação de ter, não de ver.

- Agora, volte.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Utopia


- Era estranho, me via com o cabelo até curto, jogado, barba grande, mal feita, cigarros, whiskey (puro), alguns livros, uma sala escura com apenas a luz do céu nublado, algum andar acima do 10º, uma garoa fina. Um vídeo game, mais um vício e a janela, a qual a via cuidadosamente escondido - a paisana, entrar no prédio com aquele guarda-chuva. A ansiedade era o único sentimento que perdurava 24 horas, o amor as vezes vinha a se esconder. Nas poucas horas fora de casa, o trajeto era o mesmo, trabalho casa, passando pelos mesmos pontos, saindo com o mesmo pé e entrando com o mesmo, superstição?! Algumas pessoas diferentes, mas o mesmo floricultor, que me vendia a mesma dúzia de rosas, que não cessavam de preencher a mesa de jantar, que assim como eu, esperavam ansiosas a campainha tocar e aquele "oi" cativante tomar conta da acústica do apartamento imundo, antes que fossem recolhidas murchas ao fim da noite, e tomassem o mesmo rumo das demais.

[...]

- Bom dia amor, já fez a janta?

Tu és grande.


Há uns quatro anos atrás, vivia no clube, intercalava entre futebol e piscina e assim ia o dia inteiro praticamente. Nos últimos, praticamente um "preso em regime semi-aberto" pouco fiz disso, o que julgava ser, vejo hoje que não era tanto assim, explicação, é talvez regredindo se ache a verdadeira solução do por que. Agora me achei, era o que me faltava, o que precisava, algumas horas de alguns dias, todos os assuntos, confiança, felicidade, amor. Logo num ano assim, de decisões, que está na sua reta final. Quando paro e penso, faltam alguns meses e tudo isso se foi, o chão se abre. Todo o conforto, o carinho, o afeto dos pais, de amigos, a praticidade, o "algumas quadras", tudo, se vai. Mas é ao mesmo tempo tão longe, nada se tem visto, apartamento nem nada, apenas planos, algumas imaginações que não acrescentam nada e a incógnita de como vai ser, do que fazer, como fazer. A vida dá um susto e te aponta uma direção, vai de você continuar o caminho assustado, ou se acalmar e seguir o caminho tranquilo porém atento, tropeços sim, quedas não. A queda pode te gerar alguns hematomas e isso enfraqueceria, e é preciso ser forte, parecer forte, não se deixar abalar. Levanta, ergue a cabeça, tu és grande, rapaz.