
Lendo um livro que peguei emprestado, um trecho me chamou atenão, não só por estar sublinhado já, mas pelas palavras que continha.
"No entanto, o instinto do amor é tão forte, que você paga um preço muito alto para relacionar-se com os outros".
Me perguntei o que teria ela pensado sobre, e me perguntei o porque me havia chamado atenção. O meu preço, deve ser a dor, a que sinto quando percebo a injustiça, ou a predominância do egoísmo, até algumas vezes o meu próprio, quando tomo consciência de que eu estava errado. Mas seria certo eu tomar por isso, o sofrimento, certo não é sofrer pelos outros, mas seria esse o preço pelo instinto protetor do amor? Fico me perguntando se o preço do rebate seria a incompreensão, o desvalor, o desdém. Aquele "tudo bem" que desce como ácido, e corroe toda aquela dor que se adquiriu pelo instinto e a transforma em indignação e cala, silencia todo o eu. Tivesse eu esquecido também, assim não reagiria daquela forma, penso eu, e o descontentamento teria sido evitado. Pois não bastasse o instinto me falhar e me por contra eu mesmo, agora a intuição já não me faz parte, parece ter fugido, e no lugar dela entra de novo a dor, mas aquela apertada, de meio culpa, por não ter ajudado aquela a quem eu deveria e tenho como darma, e de meio contentamento, porque sei que não fiz por mal, e não era pra ter soado de tal forma, foi uma simples falha de comunicação e de compreensão, que infelizmente não pode ser alterada, pois a tecnologia não nos deixa passar aquilo que realmente queremos passar, seria tão mais fácil se tivesse me olhado nos olhos e visto aquilo tudo que eu queria transmitir pra você. Mas, infeliz daquele que não ama porque diz ser dor, mal sabe que a dor é instintiva e só vem por bel prazer, pois amor, é doação, é partilha, duas vidas num sentimento, saberá o que é isso quando não se ama? Não, nem o mais sábio dos ignorantes.
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