sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

No silêncio

Aquele silêncio mútuo e o pensamento longe, sem ao certo ser algo real. A imagem gravada em todos os órgãos vitais, a dominar todo o ser e a piedade clama por vitória, porque o amargor da solidão assusta. O coração já se exime da responsabilidade de ter de esbanjar o amor próprio para saciar a vontade de um outro amor, pois esse é suficiente. Doloroso seria ter de recomeçar, mesmo o recomeço sendo preciso e saudável, que seja um recomeço, mas não do começo, quem sabe do meio. Um recomeço de uma nova maneira de viver aquele sentimento, de certa forma, estúpido, que tanto preenche e tanto assusta, que trás consigo aquele perigo de ter como álibe a solidão que insiste em vir junto, mesmo não sendo tão bem vinda. E junto ainda, aquela que a solidão carrega, a saudade, que ousa em cutucar e penetrar no mais interior do ser e resgatar aquelas sensações já esquecidas, e como reação desse resgate de emoções vem o elemento responsável que escorre pela pele que antes encostava a dela e sentia o calor e que agora é o pouso das lágrimas, que trazem a tona aquele sentimentalismo emocional que já havia sido acalmado e que a flor da pele regozija o corpo físico, pois o emocional já estara abalado. E se faça ser o que tem de ser, pois aqui dentro ainda sou tão você.

Romeo And Juliet


"A love struck Romeo, sings the streets a serenade,
Laying everybody low, with a love song that he made
Finds a street light, steps out of the shade
Says something like, 'You and me babe, how about it?'
[...]
I can't do the talks, like they talk on the TV
And I can't do a love song, like the way it's meant to be
I can't do everything, but I'll do anything for you
I can't do anything 'cept be in love with you

And all I do is miss you and the way we used to be
All I do is keep the beat, and bad company
And all I do is kiss you, through the bars of a rhyme
Juliet I'd do the stars with you, anytime"
[...]
(Dire Straits - "Romeo and Juliet")

domingo, 16 de janeiro de 2011

E que seja tudo, coisa de uma noite ruim.

Não que seja a sobra, mas muito menos a parte boa. Talvez seja mesmo o tempo de levantar e seguir sozinho, sem depender de nada nem ninguém. Tenho muito receio, muito. De perdas, de queridos, e de mim mesmo. Medo de me perder. Não posso julgar se será ruim antecipadamente, mas o sentimento que me vem é só esse. Quem me dera saber se eu seria a mão que te ajudaria a atravessar algumas pedras num rio. As vezes algumas coisas vem com prazo. Como um contrato, ou um alimento perecível, com data de vencimento. Sei que ao caminhar pela rua, era o que me vinha, seria esse o meu prazo de validade. Não ultrapassar o limite, e o destino fazer o favor de interromper um ciclo por um tempo indeterminado. Já passou muita merda por essa cabeça hoje, muitas, absurdas, hilárias, e outras que ao mencionar me regressam à outras passagens. Nunca imaginei que uma coisa pudesse me fazer remoer tanto, por mais que a minha calma deitasse ao lado, quando só, me vem à tona. O que é um ser sem uma calma? Raivoso, impiedoso, quando não se tem uma, vai-se em busca da calma interior, que se não trabalhada, some por um tempo, é, não mostra as caras. A angústia por perceber o quanto se perdeu de uma fase tão boa da vida, por uma pessoa que te fez crescer sim, mas que ao mesmo tempo te estancou todo seu eu interior, que agora ainda é esbanjado descontroladamente. A sensação de desconforto por saber que tanto se perdeu por algo que hoje, se friamente analisado, de nada valeu. Apostava tanto que o futuro fosse me tampar o que o passado me tomou, mas agora parece que fui muito rápido. Algumas palavras se encaixam com os sentimentos que ora sinto estar sendo emitido de dentro de mim inconscientemente, e o fluxo nervoso envia uma mensagem de fim. Quem dera se eu fosse um ignorante, frio e seco, grosso e estúpido, e as vezes carinhoso, não teria conquistado o que conquistei, e me arrependeria, mas não teria derramado tanto de mim. Ainda há muito a ocorrer, muito a se pensar e se escorrer. Já não sinto mais o nariz gelado da porta de vidro, e isso me assusta, por sentir que não mais sentirei.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Há tempos


Eu vou tentar. Eu vou conseguir. Mudar o vocabulário? Não, essas palavras já fazem parte do meu, mas, não achei que teria que acrescentar um "sei que" entre a primeira e a segunda. Foi legal ouvir algo "a meu respeito" sobre o que virá, mesmo subentendido, aquilo me deixou intrigado, mas feliz. Só que, junto veio algo estranho, que não sei dizer o que, nem se é bom ou ruim. Os flashs do gênero, "tá agora, eu faço o que?", "acho que vou correr e dou uma passadinha", "vou ir e ficar na porta de vidro olhando enquanto fica vidrada no computador olhando fotos de bebezinhos". Não nego, me remoe. Vai ser "interessante" eu diria, vou aprender, a força, a me acostumar, a mudar a rotina, por inteira. Sentar e ver o que realmente vou fazer, me organizar. Já pensei em várias coisas, até só estudar estudar e estudar, mesmo sabendo que não vai dar certo. Já pensei em algumas coisas, que essas sim, eu vou fazer, vai ser como uma "terapia" pra mim, pra tudo enfim, paciência, ansiedade, angústia, saudade. Quero aproveitar tanto, que acabo sendo mais chato que o normal, mais carente, mais xarope, e é um erro eu sei, mas é porque eu sei que vou sentir falta, dos pés lindos, sim, do colo, das mãos, de você. Em meio a livros, apostilas, filmes, músicas, fotos, algumas bebidas talvez, virão as lembranças, repentinas, que eu sei que me baquearão. Talvez seja a hora de "amadurecer", parar com algumas brincadeiras, e ser um pouco mais sério, brincar, mas não tanto quanto fazia. Talvez seja essa a hora. Um novo desafio, mudanças, está na hora de eu também mudar. Espero que pra melhor. Tudo vai mudar, como numa metamorfose, uma evolução, reavaliar os erros, e aproveitar caminhos mais curtos. Pode ser fácil e eu que esteja complicando, mas mesmo fácil, é dolorido, sacrifícios, são difíceis, espero que valha mesmo a pena, e que no fim, eu sorria. Nem terminei o jardim, e já estão sendo mudadas algumas flores de lugar, você escolheu um lugar tão longe do que o ali das flores, aí, nem tem ainda, é só a terra, acho que entendi, é melhor eu me apressar, e começar a cuidar desse canto aí também, e encher de flores por aí. Aqui ainda é meio perigoso, com os rios de lágrimas a terra sede um pouco, e é arriscado num lugar assim, onde a pouco foi fechado, melhor eu me cuidar, pra eu mesmo não acabar caindo, você pode acabar não ouvindo se eu pedir por ajuda, melhor eu me cuidar, a verei em breve meu bem, assim eu espero.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

#9


Porque o meu cheiro, me lembra você!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Será instinto?


Lendo um livro que peguei emprestado, um trecho me chamou atenão, não só por estar sublinhado já, mas pelas palavras que continha.

"No entanto, o instinto do amor é tão forte, que você paga um preço muito alto para relacionar-se com os outros".

Me perguntei o que teria ela pensado sobre, e me perguntei o porque me havia chamado atenção. O meu preço, deve ser a dor, a que sinto quando percebo a injustiça, ou a predominância do egoísmo, até algumas vezes o meu próprio, quando tomo consciência de que eu estava errado. Mas seria certo eu tomar por isso, o sofrimento, certo não é sofrer pelos outros, mas seria esse o preço pelo instinto protetor do amor? Fico me perguntando se o preço do rebate seria a incompreensão, o desvalor, o desdém. Aquele "tudo bem" que desce como ácido, e corroe toda aquela dor que se adquiriu pelo instinto e a transforma em indignação e cala, silencia todo o eu. Tivesse eu esquecido também, assim não reagiria daquela forma, penso eu, e o descontentamento teria sido evitado. Pois não bastasse o instinto me falhar e me por contra eu mesmo, agora a intuição já não me faz parte, parece ter fugido, e no lugar dela entra de novo a dor, mas aquela apertada, de meio culpa, por não ter ajudado aquela a quem eu deveria e tenho como darma, e de meio contentamento, porque sei que não fiz por mal, e não era pra ter soado de tal forma, foi uma simples falha de comunicação e de compreensão, que infelizmente não pode ser alterada, pois a tecnologia não nos deixa passar aquilo que realmente queremos passar, seria tão mais fácil se tivesse me olhado nos olhos e visto aquilo tudo que eu queria transmitir pra você. Mas, infeliz daquele que não ama porque diz ser dor, mal sabe que a dor é instintiva e só vem por bel prazer, pois amor, é doação, é partilha, duas vidas num sentimento, saberá o que é isso quando não se ama? Não, nem o mais sábio dos ignorantes.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010










"Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito"